Família Vilaronga

Genealogia, História e Memórias

José Maria Villaronga

Espaço dedicado à preservação da memória, registros históricos, obras de arte e a trajetória artística do pintor José Maria Villaronga, cujas telas e história enriquecem o legado cultural da nossa família.

Artigo de Roberto Guião de Souza Lima sobre o pintos José Maria Villaronga

Publicado em 20/07/2026
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NOTAS SOBRE AS OBRAS DO ARTÍSTA JOSÉ MARIA VILLARONGA
(JOSÉ MARIA DE VILLARONGA Y PANELLA)

Pintor, encarnador, dourador, cenógrafo, restaurador de obras sacras, arquiteto, construtor e decorador, dentre outras habilidades do tipo.
(1)
Roberto Guião de Souza Lima

I – ASPECTOS GERAIS SOBRE A VIDA E A OBRA DO ARTÍSTA

Villaronga, como é conhecido, viveu rico e faleceu pobre e esquecido em São Paulo, SP, em 7 de setembro de 1894, onde está enterrado no cemitério da Consolação. Segundo a certidão de óbito, morreu de derrame cerebral com 75 anos de idade. Assim, teria nascido (Barcelona – Espanha) em 1819. Deve ter chegado ao Brasil pouco antes de 1850 pois esta é a data registrada nas primeiras pinturas que ele realizou por aqui, na Igreja de Sacra Família do Tinguá, em Engº Paulo de Frontin, RJ. Teria então 31 anos de idade na época dessas pinturas.
Em relação à data do seu falecimento, o embaixador Luiz de Almeida Nogueira Porto, pesquisador pioneiro da obra e da vida desse pintor catalão sobre o qual escreveu vários trabalhos, registra outra informação, de um jornal de São Paulo, que diz ter ele morrido com 83 anos. Assim teria nascido em 1811 e chegado ao Brasil com cerca de 39 anos, admitindo a data de 1850 como a de sua chegada.
Aliás, os estudos realizados sobre este artista consideram, pelo menos até o momento, e, certamente, com base na data das pinturas de Sacra Família, 1850 como a chegada “oficial” dele no que seria futuramente a sua nova pátria, pois se naturalizou brasileiro em 1868.
Residiu em Vassouras em meados da década de 1850, mudou-se para Valença e por lá permaneceu até por volta de 1875, transferiu-se logo depois desta data para Campinas, onde residiu poucos anos e, finalmente, fixou-se em São Paulo, já na década de 1880, até a sua morte em 1894.
Casou-se em Valença com Carolina Dias, ou Carolina Julia Dedriq, segundas núpcias dela - informações do genealogista Fernando Antonio Ielpo Jannuzzi Junior - com quem teve dois filhos: Tiago, de quem não se tem notícia, e Ana, casada com Raimundo Fontenelle e com descendência.
Deixou extensa e diversificada obra em várias cidades, notadamente Vassouras, Bananal, Campinas e São Paulo, e em propriedades agrícolas das importantes províncias cafeeiras do Brasil Imperial, a velha província Fluminense, a Paulista e a Mineira. Em relação à pintura - que, talvez, tenha sido o ramo artístico ao qual mais se dedicou já que, certamente, é aquele pelo qual é mais conhecido - deixou (i) algumas telas e painéis assinados; (ii) obras confirmadas, com base em documentos, outros registros e notícias veiculadas em jornais da época; (iii) uma série delas a ele atribuídas por historiadores e, ainda, (iv) algumas que, tudo indica ou sugere, tenham sido de sua lavra mas que demandam ainda estudos mais aprofundados para confirmação.
O capítulo II tenta listar, de forma exaustiva até onde foi possível ao autor pesquisar, as obras por ele deixadas, com vistas a divulgá-las de uma forma condensada e cronológica. Busca também, em relação aos dois últimos grupos de pinturas mencionados no parágrafo anterior, eventuais informações que confirmem ou não a possível autoria e, para tanto, indica quais seriam as pinturas nessas condições. Finalmente, objetiva estimular que sejam obtidas informações sobre outras obras, se existirem, de forma a completar e enriquecer a lista, trazendo luz à história desse interessante e, até certo ponto, misterioso personagem da história da arte no Brasil, dentro do tempo e do espaço onde atuou.
Como dizia o dr. Nogueira Porto, que em um dos seus trabalhos a ele se referiu como “Villaronga, um pintor esquecido na corte do Rei Café”: - “A tela permanece no cavalete, à espera de novas pinceladas” e, desta forma, também este trabalho se apresenta.
Após a lista das obras, o capítulo III apresenta detalhes sobre elas bem como levanta pontos de pesquisa em relação a aspectos ainda não devidamente esclarecidos sobre o pintor e sua obra.
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(1) Sócio titular do Colégio Brasileiro de Genealogia. Administrador de empresas.
II – LISTA DE OBRAS DE VILLARONGA, DATAS DE REALIZAÇÃO (2) E FONTES DE PESQUISA UTILIZADAS (3)

Ver figura abaixo.

III – COMENTÁRIOS, INFORMAÇÕES ADICIONAIS E QUESTÕES PARA PESQUISA
(a apresentação segue a numeração das obras listadas)

1) Igreja de Nossa Senhora da Conceição (Sacra Família do Tinguá – Engº Paulo de Frontin)
São dois painéis sacros pintados sobre a taipa nas paredes laterais da capela-mor, assinados e datados, e dois quadros, óleos s/ tela, dos Apóstolos São Pedro e São Paulo, que estão fixados nas paredes da nave, logo na entrada da igreja.
Essas quatro pinturas - em especial os painéis pintados sobre o reboco das paredes, pela fragilidade do meio onde foram realizadas - precisam de cuidados especiais de preservação que se revestem de maior importância por se tratarem, muito provavelmente, das primeiros obras de Villaronga no Brasil.
Quando as visitei, em junho de 1989, embora todas ainda estivessem íntegras, apresentavam sujos por dejetos de pássaros e os painéis já exibiam pequenos descascados nas bordas. Em vista recente, pude constatar que a situação de 16 anos atrás não se alterou o que, embora não elimine a mencionada preocupação, não deixa de ser um alívio.

2) Fazenda do Secretário
Este belo solar neoclássico construído por Laureano Correa e Castro, o barão de Campo Belo, e inaugurado, segundo a fonte mencionada, em 1830, contém expressivas pinturas atribuídas a Villaronga, inclusive um painel com cerca de 11 m de comprimento onde o pintor criou uma bonita paisagem, pinturas essas que foram restauradas pela atual proprietária.
Poderia existir, entretanto, um conflito entre a data acima, admitindo que essas pinturas estivessem prontas quando a casa foi concluída, e a data até hoje considerada como a mais provável da chegada de Villaronga ao Brasil, ou seja, 1850.
Entretanto, a casa que hoje se vê, segundo afirma José Matoso Maia Forte (“A Fazenda do Secretário em Vassouras” – Manuscrito na antiga DPHAN), é fruto da grande reforma que o velho casarão sofreu e que o adaptou, segundo palavras de Augusto Carlos da Silva Telles, “aos novos gostos do Século XIX” (Página 90 da sua obra “Vassouras...”, Fonte Nº 6).
O autor do risco, o executor da obra e quando ela ocorreu, Maia Forte não diz; mas ao dizer que o velho casarão “foi transformado como convinha à dignidade do opulento fazendeiro e titular do Império”, nos dá uma pista que permite inferir – como hipótese – que a reforma pode ter ocorrido entre 1854 – quando Laureano foi nobilitado – e 1859 – quando Victor Frond já registra a casa transformada à visão atual.
Nesse período, compatível com a data da provável chegada de Villaronga ao Brasil, podem ter sido feitas as pinturas do palacete e a ele atribuídas.
Maia Forte não comenta sobre essas pinturas e apenas cita que, em um dos “salões nobres”, foi pintado “um panorama de Vassouras”, copiado da conhecida litografia de Victor Frond, assim pintura posterior a 1859. Segundo ele, “ignora-se quem foi o autor” desse painel.
Ainda sobre “painéis” de Secretário, Gerson Brasil, no seu livro “O Ouro, o Café e o Rio”, registra a existência de um imenso afresco, com muitos metros de extensão, representando o que ele classificou como a “pujança da lavoura cafeeira Vassourense”. Sem mencionar o painel citado por Maia Forte, acrescenta que o visconde de Taunay dizia que esta pintura era muito semelhante a que a baronesa de Itamarati mandara fazer no salão de jantar do seu solar da rua Larga de São Joaquim, na Corte. Pena que o painel da casa da baronesa tenha desaparecido quando aquela sala foi transformada em “Sala dos Indios” – revestida de papel de parede francês - na reforma realizada no Palácio do Itamarati entre 1927 e 1930. Assim, perdeu-se o paradigma.
O belo e extenso painel que hoje se vê não é nem o panorama de Vassouras nem o da sua lavoura cafeeira e sim uma paisagem com uma caçada, tudo indica de inspiração européia.
Essas e outras colocações estão à espera de pesquisas que talvez possam trazer esclarecimentos que ajudem a compreender melhor as obras de Villaronga, e/ou de outros eventuais artistas envolvidos, o que está perfeitamente compatível com um dos propósitos desse trabalho.

3) Fazenda do Paraizo
As dúvidas sobre datas levantadas em relação às pinturas da casa sede da fazenda do Secretário já estariam superadas no caso do palacete construído por Domingos Custódio Guimarães - que viria a ser o 1º barão e depois o visconde do Rio Preto - pois com base em registro feito na partilha amigável dos seus bens em 1869, ele teria sido concluído em 1853.
A única questão no caso deste palacete talvez seja, mantida a data de 1850 como a da chegada de Villaronga ao Brasil, através de qual indicação ou com base em que obras realizadas no Brasil, ele teria sido convidado a fazer as pinturas em Paraízo, em data tão próxima à da sua chegada por aqui?
A respeito das várias e bonitas pinturas a ele atribuídas em Paraízo, os seus estudiosos indicam que lá estaria a sua obra prima, qual seja, um belo painel com cerca de 10m de comprimento por mais de 3m de altura (todo o pé direito do 2º piso da casa, menos uma barra decorativa com cerca de 1m), retratando a Baía da Guanabara, no Rio de Janeiro, por volta de meados do século XIX. (está aí um bom referencial de data).
O painel, em que predomina a cor azul do mar e do céu, apresenta detalhes de vários tipos de embarcações, a vela e a vapor, fundeadas e/ou em movimento - em uma delas, o pintor teria pintado o dono da casa e sua família e em outra, ele mesmo com um criado - tendo ao fundo o panorama físico da cidade, que registra, entre outros, os morros do Pão-de-Açúcar e o do Corcovado, e o panorama das construções rebatidas em um plano que, na parte central, registra interessantes aspectos tais como, o cais da atual praça XV de Novembro, com o chafariz do mestre Valentim, e, na praça, o Paço Imperial e a igreja de Nossa Senhora do Carmo, da antiga Sé. Na sequência, pela direita, a igreja da Candelária e, depois, ao alto, o mosteiro de São Bento, este em promontório ainda à beira mar.

4) Igreja do Rosário (São João Marcos)
Existia na sacristia desta Igreja, construída pelo comendador José Ferreira Gonçalves, o comendador Ferreirinha, um retrato dele, segundo anotação feita em 26 de março de 1876 pelo bispo D. Pedro Maria Lacerda no seu diário, e no qual registrou a visita pastoral que fez à região em tela naquela época. Nesse diário, descoberto por acaso pelo dr. Nogueira Porto, consta, textualmente:

“Na Sacristia há um quadro grande, de moldura dourada, com retrato de corpo inteiro
de José Ferreira Gonçalves, pintado de botas e esporas e jaqueta com o colarinho aberto,
chapéu-do-chile na mão; que só assim quis deixar-se retratar”




O bispo se refere ainda a outro óleo s/ tela ali existente, retratando São João Marcos dando esmola aos pobres. Sobre este quadro, registrou D. Pedro Maria: “Obra de Villaronga, espanhol residente em Valença”.
O dr. Nogueira Porto, analisando esses registros, atribui a Villaronga a autoria do retrato do comendador Ferreirinha (ver Item 14, retratos na Santa Casa de Misericórdia de Bananal).
Com a destruição da igreja do Rosário e de toda a cidade de São João Marcos, por conta da represa do Ribeirão das Lages, onde estariam, se é que ainda existem, os dois quadros anteriormente mencionados?

5) Fazenda do Resgate
O comendador Manoel de Aguiar Vallim, casado com dona Domiciana Maria de Almeida - filha do comendador Luciano José de Almeida, dono da fazenda Boa Vista e o maior fazendeiro de Bananal na época - reformou e ampliou, em 1855, a casa sede original de Resgate, construída no início do Século XIX. Para os trabalhos de decoração da nova casa sede, entre outros profissionais, contou o comendador Vallim com os serviços de Villaronga, que ficou encarregado de todas as pinturas internas, trabalho grandioso que realizou com competência e bom gosto, de forma que descrevê-lo mereceria uma matéria especial. Um dos destaques do conjunto é o expressivo painel sacro da parte inferior da capela que tem como motivo central a adoração ao Menino Jesus e a oferenda de jóias em uma caixa na qual o pintor registrou, entre elas e curiosamente, um relógio de bolso. A data das pinturas, 1858, está baseada em uma inscrição, a crayon, encontrada em uma das paredes de uma das alcovas que funcionou como atelier do pintor (a parte do reboco da parede onde estava esta data foi preservada e guardada no acervo da fazenda). Além da data, nas paredes desta dependência foram encontrados esboços, ensaios e marcas típicas de quem esta dando tratos à bola sobre o que iria realizar nas pinturas da casa. O fato é que, em 1860, as pinturas já estariam concluídas, pois sobre elas teceu muitos elogios o viajante português, Emilio Augusto Zaluar, que visitou Resgate naquele ano, arrematando que elas provinham do “hábil pincel do sr. Villarongo”, com “o” no final, como ele o chamava.
Algumas das pinturas de Resgate são muito semelhantes às que Villaronga empregou na sala de jantar do palacete do barão de Itambé, em Vassouras.
Tendo em vista a destruição das pinturas da casa sede da fazenda do Rialto e, em outras propriedades, na situação que se observa hoje, o conjunto de pinturas da casa sede da fazenda do Resgate é o remanescente mais completo e rico que se conhece da vasta obra deixada por José Maria Villaronga, neste tipo de arte, só encontrando concorrente na citada fazenda do Paraizo. A primazia de Resgate poderia ser ameaçada caso trabalhos de restauração em outras fazendas e casas urbanas viessem a descobrir pinturas originais de Villaronga, que estariam hoje encobertas por outras pinturas e/ou por papéis de parede, mas essa é apenas uma possibilidade e uma história complicada de ser levada adiante de forma concreta. Assim, dificilmente, Resgate perderá o trono.

6) Ponte coberta de Bananal
Ficava ao final da rua Manoel de Aguiar Vallim (antiga rua Direita, ou do Comércio, como a chamou Zaluar) na ligação dela com a rua Washington Luiz (antiga rua do Fogo), no caminho para Arapeí e São José do Barreiro, sobre o rio Bananal. Segundo registro de Zaluar, em final de 1859, era uma obra sólida e bem construída pelo “sr. Villarongo”, às custas dos cofres provinciais, mas de muita utilidade para a população.
Na rua do Fogo ficavam algumas casas, duas ainda existem, que foram ocupadas por imigrantes chineses – chamados de “chins” – que vieram para ensinar o cultivo e o beneficiamento do chá, criando assim novo ramo de indústria agrícola em Bananal. A tentativa revelou-se, todavia, infrutífera, e os descendentes dos pioneiros se dedicam hoje a outras atividades nas áreas de comércio e serviços.
O dr. Nogueira Porto diz que o construtor desta ponte – de madeira, coberta com telhas e mandada fazer pela Câmara Municipal de Bananal – foi Manoel Venâncio Campos da Paz, importante construtor local. A ponte foi demolida e substituída pela atual em 1926, para suportar o trânsito da antiga “rodovia Rio – São Paulo”, da qual fazia parte a rua principal de Bananal, depois substituída pela rodovia presidente Dutra.


7) Matriz de Nossa Senhora da Conceição (Vassouras)
Estão registrados nos livros de contas da Irmandade da Conceição pagamentos feitos a J. Ma. Villaronga: em 25 de abril de 1859, no valor de 250$000, por pinturas na igreja e, em 9 de junho do mesmo ano, 1:400$000, para dourar 14 pilastras da igreja ao valor unitário de 100$000.

8) Palacete do barão de Itambé
As pinturas mais significativas da casa são os vários painéis ocupando todas as paredes da grande sala de jantar. Como mencionado, os motivos, os estilos e as cores da pintura são semelhantes às da casa sede da fazenda do Resgate. Em uma das pinturas, Villaronga pintou uma “nota promissória”, dobrada assim como quem não quer nada, em que registrava a importância de 10 contos de réis – uma bela quantia à época – devida a ele, José Maria Villaronga, talvez como uma forma de “lembrete” do valor do serviço ao contratante do mesmo e a data em que ele deveria ser pago.
Esses interessantes painéis estavam bastante estragados e perto de se perderem – como aconteceu com os semelhantes da fazenda do Rialto em Bananal – e sofreram uma restauração de emergência, levada a efeito pelo proprietário da casa e realizada com o concurso de especialistas do IPHAN, logo após a compra da mesma em 1973.

9) Matriz de Nosso Senhor dos Passos (Rio Preto)
Construída sob os auspícios do comendador Francisco Tereziano Fortes de Bustamente, falecido em 1854, e dono da fazenda de Santa Clara, e concluída em 1860 pela viúva, dona Maria Thereza de Souza Fortes, viscondessa de Monte Verde, que adicionou, para a conclusão das obras e por ordem expressa do marido, 200 contos de réis ao patrimônio que ele já havia ali empregado em vida.
É o remanescente mais expressivo que se conhece do Villaronga arquiteto e construtor.

10) Obras em Juiz de Fora
A passagem de Villaronga por esta cidade mineira em 1860 tem como base o fato de que o palacete Vale Amato já estava pronto para ser ofertado a Dom Pedro II (que viria a não aceitá-lo) quando este visitou o município no ano seguinte.
As constantes reformas no prédio e na capela dos Passos acabaram com qualquer vestígio da obra de Villaronga na principal cidade do café da zona da mata mineira em meados do século XIX, e que depois viria a ser conhecida, por suas indústrias, em especial a de tecidos, como a “Manchester mineira”.

11) Fazenda Santa Clara
As obras ali realizadas por Villaronga provavelmente aconteceram quando já era proprietário da fazenda o barão de Santa Clara, que herdou a fazenda da irmã, a viscondessa de Monte Verde, viúva do comendador Tereziano, conforme mencionado em 9. A fonte das informações sobre as obras e a passagem de Villlaronga por lá são de Paschoal Jannuzzi Mota, que é um dos proprietários da fazenda e pesquisador da sua história.

12) Obras em Valença
Tudo indica que a atuação de Villaronga nessas obras, na qualidade de construtor, se deu de forma isolada, ou seja, antes dele constituir sociedade para fins deste tipo de serviço e assemelhados.

13) Matriz do Bom Jesus do Livramento (Bananal)
Zaluar menciona que, ao final de 1859, Villaronga já estava contratado para realizar obras que ele chamou de “inteiramente novas”, no interior da igreja. Elogiou o bom gosto do artista e a sua habilidade como pintor, dando a entender que esses atributos já eram conhecidos das pessoas do local,
certamente por conta das pinturas realizadas na fazenda do Resgate e outras. Parece, entretanto, que as obras não foram efetivamente realizadas – ou, se foram, atenderam apenas parte das necessidades –


pois somente em 1871 foi inaugurada a completa remodelação do interior da matriz, como noticia o jornal o “Ecco Bananalense”, de 01.07.1871. Na oportunidade, Villaronga agradeceu a confiança nele depositada para a realização de tão árdua e difícil tarefa e o apoio a ele dado pelo vigário e pelo comendador Manoel de Aguiar Vallim.

14) Santa Casa de Misericórdia
Existem lá dois retratos – óleos s/ tela – um assinado e outro atribuído a Villaronga
O primeiro é de José Ferreira Gonçalves – o importante fazendeiro e benemérito local, o c

Painel panorâmico em 360º da Baía de Guanabara

Publicado em 12/07/2026
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Esta cena faz parte de um monumental painel panorâmico em 360º da Baía de Guanabara, pintado diretamente nas paredes da sala de jantar (ou sala de banquetes) do casarão principal da Fazenda do Paraízo. A fazenda histórica está localizada no município de Rio das Flores, no Vale do Café, estado do Rio de Janeiro.

Curiosidade técnica: Esse mural é famoso por uma ilusão de ótica criada por Villaronga; o barco retratado parece mudar de perspectiva e "virar na direção" do observador conforme se caminha pela sala.

Quando foi pintada?
A obra foi realizada em meados do século XIX (por volta da década de 1850). A Fazenda do Paraízo foi construída entre 1845 e 1853, e o mural foi encomendado diretamente ao pintor-decorador catalão pelo proprietário da fazenda, Domingos Custódio Guimarães (o Barão, e posteriormente Visconde, do Rio Preto).

Contexto da Obra
O detalhe na imagem mostra uma falua de frete (pequeno bote de transporte público ou privado da época) movimentando-se pelas águas do porto da Corte, no Rio de Janeiro. Ela é conduzida por dois remadores negros escravizados e transporta um elegante passageiro de cartola e casaca. Essa composição ilustra o cotidiano urbano e o tráfego marítimo intenso da capital do Império naquele período, integrando a vasta horizontalidade da paisagem fluminense idealizada por Villaronga.

O Pintor José Maria Villaronga

Publicado em 11/07/2026

Parte do painel panorâmico em 360° da Baía de Guanabara

Publicado em 11/07/2026
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Esta cena faz parte de um monumental painel panorâmico em 360º da Baía de Guanabara, pintado diretamente nas paredes da sala de jantar (ou sala de banquetes) do casarão principal da Fazenda do Paraízo. A fazenda histórica está localizada no município de Rio das Flores, no Vale do Café, estado do Rio de Janeiro.

Curiosidade técnica: Esse mural é famoso por uma ilusão de ótica criada por Villaronga; o barco retratado parece mudar de perspectiva e "virar na direção" do observador conforme se caminha pela sala.

Quando foi pintada?
A obra foi realizada em meados do século XIX (por volta da década de 1850). A Fazenda do Paraízo foi construída entre 1845 e 1853, e o mural foi encomendado diretamente ao pintor-decorador catalão pelo proprietário da fazenda, Domingos Custódio Guimarães (o Barão, e posteriormente Visconde, do Rio Preto).

Contexto da Obra
O detalhe na imagem mostra uma falua de frete (pequeno bote de transporte público ou privado da época) movimentando-se pelas águas do porto da Corte, no Rio de Janeiro. Ela é conduzida por dois remadores negros escravizados e transporta um elegante passageiro de cartola e casaca. Essa composição ilustra o cotidiano urbano e o tráfego marítimo intenso da capital do Império naquele período, integrando a vasta horizontalidade da paisagem fluminense idealizada por Villaronga.

A Trajetória Artística e o Legado de José Maria Villaronga

Publicado em 27/06/2026
José Maria Villaronga foi um exímio pintor cujo talento com os pincéis deixou uma marca profunda na história e na identidade cultural da nossa família. Nascido na Catalunha, Espanha, ele trouxe em sua bagagem a rica tradição artística europeia, traduzindo sentimentos, memórias e a busca pela tranquilidade em telas marcantes.

Especializado na pintura de paisagens, José Maria utilizava a arte como um refúgio e um meio de transmitir paz. Suas obras capturavam a essência da natureza com uma sensibilidade única, jogando de forma magistral com as cores, luzes e sombras para dar vida a cenários que convidam à contemplação. Cada pincelada carregava não apenas técnica, mas também a alma de um homem conectado às suas raízes e à beleza do mundo ao seu redor.

Este espaço é dedicado a reunir suas crônicas, fotografias de suas telas originais, documentos históricos e análises de seu acervo. Preservar a memória de José Maria Villaronga é manter viva a chama da nossa própria história e garantir que as futuras gerações conheçam o valor e a poesia de seu legado artístico.